AS DIFERENTES POSIÇÕES ESCATOLÓGICAS
A escatologia bíblica é considerada por muitos a área mais difícil da teologia sistemática. Essa dificuldade ocorre, principalmente, por ela se referir a coisas que ainda não aconteceram, ou seja, por se tratar de eventos futuros, surgiram muitas divergências entre os estudiosos, de modo que originou-se diferentes posições (escola, visões ou correntes) acerca dos temas principais abordados pela escatologia.
Essas diferentes posições, basicamente discutem a cronologia dos eventos escatológicos, sendo o milênio o principal deles. Embora se dividam em quatro escolas principais, dentro de cada uma delas ainda há diferentes interpretações de pontos específicos por seus adeptos. A seguir, teremos um resumo do que prega cada uma destas posições escatológicas.
com Satanás e seus anjos. Após esse acontecimento começará o estado eterno.
Existe também alguns pré-milenistas históricos que defendem que o Anticristo se manifestará após o milênio e não antes dele. O Pré-Milenismo Histórico vem sendo ensinado provavelmente desde o século I d.C., porém as primeiras evidências desse ensino datam do século II com Justino Mártir e Irineu.
PRÉ-MILENISMO DISPENSACIONALISTA CLÁSSICO
O Pré-Milenismo Dispensacionalista é bem diferente do Pré-Milenismo Histórico. Embora também tenha uma visão pré-milenial da segunda vinda de Cristo, o Pré-Milenismo Dispensacionalista divide esse evento em duas fases distintas.
Primeiramente ocorrerá o arrebatamento da Igreja de forma secreta, e, juntamente com o surgimento do Anticristo, será dado início aos famosos sete anos de grande tribulação na Terra. Para a base dessa cronologia, é utilizada uma interpretação da profecia das setenta semanas de Daniel (no caso esse período seria a septuagésima semana) combinado com um esquema de leitura do livro de Apocalipse (sobretudo do capítulo 13). No arrebatamento da Igreja ocorrerá apenas a ressurreição dos justos. No período de sete anos de tribulação a Igreja estará com Cristo no céu.
Após os sete anos de tribulação, haverá a batalha do Armagedom e Cristo retornará para destruir o Anticristo e os inimigos de Israel. As nações serão julgadas, e as que tiverem apoiado Israel participarão do milênio, que será também um reino literal de mil anos de Cristo na Terra, tal como defende a visão anterior.
Haverá também a ressurreição dos judeus após os sete anos de tribulação. Os que se voltaram contra Israel serão destruídos e aguardarão o último julgamento para condenação eterna. No reino milenar, o Templo terá sido reconstruído e Cristo se assentará no trono de Davi, para que se cumpra
todas as profecias pendentes a Israel (nesse sistema existe a completa distinção entre Israel e Igreja).
No final do milênio, Satanás será solto por um período de tempo, enganará as pessoas e fará uma rebelião contra Cristo e a Nova Jerusalém, porém Satanás será derrotado e lançado no Lago de Fogo. Haverá também a ressurreição dos ímpios para o grande julgamento, para que sejam lançados no Lago de Fogo.
O Pré-Milenismo Dispensacionalista é com certeza a corrente escatológica mais complexa, e surgiu recentemente, em meados do século 19.
É importante ressaltar também que existe o Dispensacionalismo Progressivo (ou Novo Dispensacionalismo) uma visão que difere bastante do Dispensacionalismo Clássico. Nesse sistema, a Igreja não representa uma interrupção no plano de Deus para Israel como no modelo clássico, e sim uma parte integral desse plano, ou seja, é uma progressão desse plano. O Dispensacionalismo Progressivo, em sua maioria, defende a vinda de Cristo em um evento único pós-tribulacional.
A visão Pós-Milenista defende que a segunda vinda de Cristo ocorrerá após o Milênio. Dentro do próprio Pós-Milenismo existem diferentes opiniões sobre como se dará esse período milenar.
Alguns acreditam que se trata dos últimos mil anos antes da volta de Cristo, enquanto outros defendem que o milênio é o período que compreende desde a primeira até a segunda vinda de Cristo. O Pós-Milenismo afirma que nesse período ocorrerá uma completa evangelização no mundo, e que a maioria das pessoas serão convertidas, o que ocasionará um grande desenvolvimento global em todos os aspectos (social, econômico, político e cultural).
Entre o imenso número de convertidos, estarão também muitos judeus que reconhecerão Jesus como o Messias. No final desse período, Cristo voltará, acontecerá a ressurreição tanto dos justos quanto dos ímpios, o julgamento final e o estado eterno será estabelecido.
Embora o termo Amilenismo literalmente signifique "sem milênio" ou "não milênio", o Amilenismo de forma alguma nega o milênio. O Amilenismo entende que o capítulo 20 do Apocalipse, onde é mencionado o milênio, se refere ao período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, ou seja, os "mil anos" são simbólicos e não estão relacionado a um período de paz e prosperidade na Terra, mas ao caráter espiritual do Reino de Cristo.
Alguns defendem que o Reino de Cristo acontece, sobretudo, com os salvos que já morreram e estão nos céu reinando com Cristo até a segunda vinda, enquanto outros acreditam que também existe uma conexão com a Igreja e a pregação do Evangelho na Terra, porém essa evangelização não será acompanhada de paz e prosperidade, mas de sofrimento terreno, o qual a Igreja de Cristo sempre enfrentou ao longo de sua História.
No Amilenismo, o fato de já estarmos no milênio e, portanto, Satanás estar amarrado, não significa que ele está totalmente inoperante no mundo, pelo contrário, ele está agindo no presente momento, porém está limitado e incapacitado de barrar o avanço da pregação do Evangelho na Terra.
Os Amilenistas também defendem um período final de tribulação sem precedentes em que Satanás será solto, ou seja, Deus permitirá que ele engane novamente as nações, e é nesse período que a Igreja passará por seu momento mais difícil na Terra. Então Cristo voltará com poder e glória, haverá a ressurreição geral (santos e ímpios), o último julgamento e o estado eterno com novo céu e nova terra.
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